sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Canção Da Terceira Idade

  Apesar do cansaço imposto pelo idade
  na casa dos oitenta, há tempos evocamos
  nossa existência em flor - a flor da mocidade,
  por isso acorda em nós uma alegria, e amamos.

  Revivemos assim, sem excessos nem nada,
  aquela fase azul em que a gente crescia:
  tu, moça, alegre e forte, a ouvir minhas poesias,
  eu, moço glabro, a andar, cantando pelas estradas.
  E pela mesma estrada acessível de outrora
  buscamos compreender a mocidade agora,
  em cada gesto a mais de sua gulodice.

  Incorporados Nela ousamos mais um pouco:
  tu, ainda tão firme, eu, um poeta louco
  redescobrindo a vida ao longo da velhice.
                            

       

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Bela Arte De Aprender


   Costuma-se dizer que aprender é uma necessidade humana e que já faz parte da nossa constituição, o que não deixa de ser verdade, pois é através do aprendizado  que conseguimos absorver uma vasta gama de informações e conhecimentos que estão inseridos no meio em que vivemos. Portanto, quando aprendemos a fazer bom uso do nosso conhecimento acumulado, aliado às nossas experiências pessoais ao longo dos anos, estamos adquirindo  a sabedoria que irá nortear as nossas boas decisões e escolhas na vida.
   Mas sabemos que atingir esse estágio demanda muita perseverança e força de vontade, uma vez que o processo de aprendizagem não é fácil e quase sempre exige de nós tempo e dinheiro, sem contar a presença indispensável de instrutores gabaritados.
   Mas as recompensas são muitas. Tanto é verdade que quando vencemos barreiras e evoluímos enquanto seres em aprendências, refletindo nos erros e acertos do passado, começamos a ter uma melhor compreensão do mundo e de  nós mesmos – e isso nos dá  suporte para lidar com todas as adversidades e desafios da vida. Até porque, para  conhecermos melhor o mundo, precisamos antes conhecer a nós mesmos. Em resultado disso passamos a  aceitar com mais maturidade as nossas próprias limitações, e a repensar o nosso papel na conservação dos valores sobretudo morais e culturais da sociedade como um todo.
   Por tudo isso, vale mesmo a pena nos empenhar na  busca dos tesouros do  saber, e acima de tudo compartilhar esses tesouros com aqueles que nos rodeiam, sempre com amor e humildade.
                                                                                                  
















































 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Metrópole


A tempestade de verão  deu o ar de sua graça
vestido de luto o céu da tarde
da minha cidade
outra vez.

Então, sem nem avisar,
um vento furioso,
desses que trazem um cheiro de morte,
principiou a sacudir as árvores antigas
e a tirar o sono da gente.

Porque numa cidade grande
depois da tempestade
nunca vem a bonança,
antes, vêm as enchentes
que todos aguardam com o coração na mão.

Porém nem todos
( quem disse? )
um menino de rua
- cujo nome ninguém conhece –
bem à vista de todos
mergulhou de súbito na rua alagada, entre ratos
e lixos flutuantes,
sonhando talvez com dias mais felizes.

Enquanto isso o governo,
alheio às intempéries lá fora,
jamais perdeu ( ou perderá ) o sono
- sono aliás tranquilo –
de tanto sonhar com a próxima eleição.







terça-feira, 14 de junho de 2011

Desfile de Modas No Brasil


   Deviam ser umas onze horas, por aí, eu estava sozinho em casa naquele alegre domingo de sol, literalmente plantado diante da televisão na sala para assistir a mais um desfile de modas. Aliás, não tenho vergonha de confessar: quantas e quantas vezes meus amigos mais chegados me flagraram  imitando os modelos brasileiros ( eu disse “os modelos”, ouviram bem? ) como se estivesse em plena passarela.
   Mas voltando ao assunto, assistir a um desfile de modas, ainda que pela TV, exige, a meu ver, uma certa percepção, uma técnica, não sei, para se descobrir a legitima modelo de passarela, como quem descobre um novo talento no mundo do futebol perdido em algum campinho de várzea. Porque uma legitima modelo de passarela precisa, antes de mais nada, ter o corpo leve e gracioso, com uma postura correta que marque presença. Também é indispensável que a modelo saiba se incorporar ao estilo da roupa que usa sem sequer ofuscá-lo, e, acima de tudo, ela precisa  aprender a caminhar na passarela com arte, como se pisasse literalmente em nuvens...
    E nesses quesitos, não há dúvida,  a mulher brasileira leva uma ligeira vantagem em relação às mulheres de outros países, porque ela traz desde o berço um gingado especial, que empresta certa cadência aos seus passos, isso sem falar na sua beleza exótica que deixa qualquer gringo babando.
   Por isso mesmo dá gosto pregar os olhos na televisão para assistir a um desfile de modas – e ao vivo, presente ao evento, então, nem se fala! Enfim, que me perdoem os críticos e os manchões de plantão, mas gostar de desfile de modas também é coisa de homem!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Lição Desnecessária


A professora do ginásio
versada em física
cumpre o rigoroso dever do ofício.
                                                       As mãos educadoras aprontam a lição,
ao passo que as pernas provocam.
Todos,
com brilho nos olhos,
não se enfadam
ante o quadro-negro recheado de problemas.
Ninguém repara: os alunos
sonham, à margem dos deveres,
sonhos, prazeres, pecados e pernas.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma Noite de Tempestade



O que era simples introdução pluvial, de repente
ganha ímpeto e volume: é a tempestade
prestes a desabar fora de hora
para o meu desespero
provável.
Eu não disse?
Já desa
            bou
                   desa
                            bou
num estrondo tremendo, entre
raios e relâmpagos,
assoprando
rompendo
riscando
bramindo,
ao prolongar-se pela janela
                                             do meu quarto escuro,
retumbando/ retumbando.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Incêndio Verde

 

Naquilo que  um dia  foi  uma floresta, onde
o verde prolongava-se nas árvores desafiando o tempo, outras
cores, de repente, precipitaram-se.
Via-se um amarelo em combustão,
via-se um azul...e agora um vermelho,
 que também lambia os galhos das árvores, macabro.

Mas via-se principalmente outra Cor: era
negra negra negra
                             que subia depressa
                                                             subia           
                                                                         sombreando o chão.
Mas ao subir,
                        na incansável dedicação da Morte,  

  ia deixando seqüelas: as cinzas.